Arte Vital
 


ACESSE O NOVO ARTE VITAL:

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 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 07h03 PM
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Pensando...

 

A música não exprime nunca o fenômeno, mas unicamente a essência íntima de todo o fenômeno, numa palavra a própria vontade. Portanto não exprime uma alegria especial ou definida, certas tristezas, certa dor, o medo, os transportes, o prazer, a serenidade do espírito; exprime-lhes a essência abstrata e a geral, fora de qualquer motivo ou circunstância. E todavia nessa quinta essência abstrata, sabemos compreendê-la perfeitamente  
(Arthur Schoppenhauer)

 



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 02h15 PM
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Aniversário póstumo

ALGUÉM GENIAL
Fernando Toledo completaria hoje 42 anos; jovem demais para ter a vida ceifada de maneira tão estúpida. Em agosto de 2005, um irresponsável em alta velocidade, avançou o sinal vermelho e deu fim a sua vida. Mas isso não vem ao caso neste momento. Convido todos a brindá-lo, a celebrá-lo como se ele estivesse aqui, entre nós, recitando, ensinando, fazendo valer, fazendo rir, fazendo chorar, chorando, sorrindo e, o que ele sabia fazer muito bem, AMANDO a todos nós como se fossemos um só.

Parabéns meu irmão, esse dia é seu. Bêbado
Há algumas horas, navegava pela rede a procura de notícias no ramo das artes; música, literatura, etc...Deparei-me com a coluna de Roberto M. de Moura com algumas das últimas publicações e Fernando. São trechos que não precisavam de sua assinatura para que fosse reconhecido...

Moments do Fernando

Em 6/12/2004:

“Discute-se muito pouco hoje os critérios de qualidade objetiva na Arte. Depois dos ready-mades de Duchamp, dos HQs tornados quadros de Lichtenstein, das Marylins e Campbells de Andy Warhol, tudo pode ser Arte, desde que seu executor o declare antes, e apresente uma bula explicativa do produto. (...) Acontece que a Estética não pode se valer, única e exclusivamente, de um discurso. Por mais que se fale na Arte da Retórica, esta última, por si só, não se constitui em fato artístico: outros fatores, como equilíbrio, originalidade e significância, tanto no conteúdo e na forma como na relação entre os dois, devem, mandatoriamente, estar presentes e estabelecer a tríade entre autor, público e crítica, de que é composto o fato artístico. Hoje, devido a uma proliferação de uma atitude politicamente correta, que promove um verdadeiro fascismo às avessas, somos quase que juridicamente obrigados a reconhecer valor em qualquer coisa. Não conceder juízo de valor a um pneu furado exposto com gáudio, por um artista neozelandês, pode significar, para os arautos de uma relativização completa, que somos participantes de grupos racistas anti-neozelandeses e, sobretudo, opositores ferrenhos do uso de pneus – o que acarretaria o desemprego de milhares de operários famintos nas fábricas dos mesmos. (O funk, sobre o financiamento pelo MinC da viagem de Tati Quebra-Barraco ao exterior) não opera em termos, inicialmente, musicais: possui apenas sonoridade mal-acabada e ritmo repetitivo (tanto que com uma só base pode-se gravar diversas "composições"), e não inclui entre seus elementos Harmonia e Melodia reconhecíveis, atributos estes indispensáveis para que algo possa ser classificado como Música. Que os europeus nos acham folclóricos e muito engraçados, já sabemos. Não precisamos que nos considerem ridículos e absolutamente imbecis também.

Em 21/2/2005:

“Você já leu ‘A Nova Música’, do Aaron Copland? É muito interessante, apesar de eu discordar da apreciação do autor acerca de Rimsky-Korsakoff e da ‘influência bilateral do jazz’ (não acredita, o autor, numa influência significativa da música de câmara no jazz, do que discordo - basta ouvir Ellington, Gill Evans e, mesmo, Parker, ou seja, três músicos absolutamente diferentes, para constatar isso). Mas vale a pena, estou terminando. O peso que ele confere a Stravinsky é inegável. No entanto, ele dá uma importância enorme ao Darius Milhaud, que acredito desproporcional. Lembre-se que muito do notório ‘Boi no telhado’ é plágio do Nazareth, pelo que consta... Ontem, li ‘O fabuloso e harmonioso Pixinguinha’, do Edigar de Alencar. Ótimo em termos de informação, mas o estilo é meio sofrível, em certos momentos.”

Roberto M. Moura, é carioca jornalista, crítico musical, produtor e diretor de espetáculos, roteirista e apresentador de programas culturais na Tv Educativa/RJ (atualmente, faz parte da equipe fixa do “Comentário Geral”). Email: robertommoura@globo.com
Link original desta publicação:
http://www.brazil-brasil.com/content/view/553/28/
Parabéns Totô Sorte


 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 06h09 PM
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Mensagem...

 

O ARTE VITAL deseja a todos os seus leitores um Feliz 2010. Que o final da primeira década do século XXI seja mais interessante culturalmente, que nossas almas sejam menos consumistas e nossas idéias menos descartáveis. Que o luxo impere, sim, na cultura global, seja ela qual for, e que esse país, cujo a diversidade artistica é multi-tudo, reverencie mais o seu próprio universo.

 



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 05h23 PM
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Desintegrando...

LULA E A "MERDANÇA" POPULISTA
Por Antonio Siqueira

Merda por merda lá se vão sete anos do mandato do Presidente com a "cultura" mais popular do Brasil. 
O "Filho do Brasil" depois de defender inimigo histórico, se abraçou  com os "avós" da política Maranhense, queimando a Bandeira ideológica de seu Partido.

Partido que usou do "mensalão" para formar a base de seu primeiro Governo que nada construiu.

Neste segundo mandato, continuam a criticar as privatizações feitas por FHC, mas não se intimidam em licitar/tercealizar novas linhas de transmissão e energia, pedagiar rodovias Brasil afora, tudo acontece.... e não é que neste ano de 2009 Lula acordou para a realidade!?!? Já iniciou o ano informado de que o  Brasil acumulava um déficit habitacional de praticamente oito milhões de moradias, e lá foi ele sem qualquer objeção prometer a construção de 1 milhão de casas até final de 2010,  mesmo sem estrutura para construir a metade do prometido.....tanto é que até agora pouco foi contratado e quase nada foi construído.

Não há de ser nada;  Pelo menos o "Filho do Brasil", nasceu,  cresceu... e como cresceu economicamente! O Plano Real tem dado condições a todos, não há de se negar, porém, em se tratando de  "educação", é da boca  do Presidente que tem saido boa parte da sujeira em que o povo está vivendo. E pior do que viver na merda é usar da cultura popular de um povo que não consegue ver a luz na galeria da educação.

Mas, convenhamos, CADA PAÍS VIVE NA MERDA E TEM O PRESIDENTE MERDA _FALANDO MERDA_ QUE MERECE. 7 anos na merda

Charge - Word Press



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 01h28 PM
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The Dark Side of the Moom:

 A Fenomenologia do Rock Progressivo

Por Antonio Siqueira


capa

Ao abordar o bom e velho Rock Progressivo, não podemos deixar de falar sobre o Álbum “The Dark Side of The Moon” do Pink Floyd. Esse disco paradoxal aborda os diversos males que atacam o homem moderno, como a ganância, a escravidão, o tempo, o problema da individualidade e a loucura urbana. É, por muitos, considerado o melhor disco de rock progressivo de todos os tempos. Pela genial capa já se nota a que vem o álbum; um prisma que “reflete” um feixe de luz branco abrindo em todas as freqüências de cores “ocultas” em seu interior, uma clara analogia ao trabalho de expôr o homem aos seus próprios males.

        Em 1973, apesar do grande sucesso devido aos álbuns anteriores, acreditava-se que o Pink Floyd já havia atingido o ápice musical com seu primeiro LP “Piper at Gates Of Dawn”, que divide com “Sgt. Peppers”, dos Beatles, títulos de pioneirismo do Rock Progressivo. Esperava-se que o Pink Floyd não passasse “daquilo”, já que seu principal integrante na época, o genial compositor, guitarrista, cantor e pintor Syd Barret, havia sido afastado da banda há alguns anos por motivo de loucura (devido à fórmula “cérebro já meio afetado” * LSD³ = “samambaia”). Porém, em março desse ano, na formação Roger Waters (baixo-vocal), Rick Wright (Teclado), Nick Mason (Bateria), David Gilmour (guitarra-vocal) lançam a sua obra prima, superando assim, inesperadamente, o seu primeiro álbum, com quase 30 milhões de cópias vendidas. É um dos três discos mais vendidos do mundo. Soando atualíssimo ainda nos dias de hoje, pois, por incrível que pareça, os seres humanos continuam purgando problemas mais intensos do que 30 anos atrás. 

       O LP possui algumas curiosidades, como a bizarra coincidência de que colocando o disco para rodar logo após o terceiro rugido do leão da Metro-GoldWyn-Mayer no filme “O Mágico de Oz”, as letras e os sons se encaixam perfeitamente nas imagens da tela. É uma experiência única e comprovada. Cuidado! Sua mãe pode pensar que você é um sujeito muito doido ao lhe ver fazendo isso. Os integrantes da banda dizem que é pura coincidência.

pink floyd 1972

         A qualidade de produção impecável, timbres e arranjos muito bem trabalhados, somados a um encaminhamento de músicas em perfeita harmonia, fora o lirismo das composições de Roger Waters, tornam esse álbum musicalmente inesquecível para quem ouvi-lo em sintonia perfeita e concentração em estado puro. Mas o que tornou esse LP uma verdadeira lenda do Rock, é a unidade de suas músicas que faz com que as suas nove faixas sejam entrelaçadas em um só tema (Leia-se Disco Conceitual), como os diversos capítulos de uma única obra temática sobre as “Mazelas dos Humanos”.

        A primeira dessas Mazelas é tocada em “Speak to Me Breathe”, que trata do problema de encontrar espaço na sociedade e de como tocar a sua vida de acordo com os problemas que aparecem pela frente. Como diz a música, deixando-se levar por essa cômoda sociedade, você só corre na direção de uma precoce sepultura. A seguir, temos a instrumental “On the Run”, uma viagem lírica Floydiana. Depois dela vêm as sinistras badaladas do relógio “Time”, tratando da escravidão ao tempo o qual todo homem moderno está submetido, e dos momentos perdidos quando não nos enquadramos nesse relógio da sociedade. Aqui, eles parecem nos dizer que não adianta querer domá-lo, o tempo sempre irá passar, cada vez mais rápido. Apesar de tudo que fazemos, sempre ficará a sensação de que o nosso trabalho estará sempre incompleto aos nossos olhos e aos da sociedade moderna. Mas, no final das contas, como diz a música, você estará na realidade, somente “um dia mais perto da morte”.

         Dando prosseguimento, o ápice do álbum chega com a bela “The Great Gig In The Sky” que, em meio aos magníficos vocais da cantora Clare Torry, sem dizer sequer uma palavra, nos mostra sensações de desespero, loucura, ternura, solidão e até mesmo saudade. Aqui eles mostram que sentimentos não precisam ser passados em palavras, mesmo porque os sentimentos existem antes mesmo das palavras existirem para podermos nomeá-los. Após esta seção magnífica de música, ouvimos a introdução de caixa registradora da conhecidíssima “Money”. Se o tema do álbum são os males humanos, o dinheiro, mais cedo ou mais tarde, teria que aparecer. De forma satírica, Roger Waters dá sua interpretação do que o dinheiro, o Senhor dos Males Humanos, representa para a sociedade.  Ele mostra paradoxalmente, o que todo mundo sabe sobre a submissão que temos a ele. Porém, é quase impossível encontrar  alguém qe queira se livrar desse "Mal". É de se notar, também, a muito bem executada performance instrumental dessa música, e o riff de baixo mais conhecido do Rock.

        À frente, “Us And Them” trata o problema da solidão, do respeito à individualidade e da ambigüidade das pessoas, gerando problemas de comunicação. Por isso, sendo estopim de tantos desentendimentos e guerras. E finalizando essa, vem o solo do teclado delirante de Rick Wright em “Any Color You Like”, terminando com um duelo de guitarras bem acompanhado pelo baixo, bateria e teclado, preparando seus ouvidos e alma para o “The lunatic is on the Grass...” da “Brain Damage”, uma apologia à loucura. Muitos dizem que essa música é uma linda homenagem do Pink Floyd a Syd Barret, o eterno integrante maluco do Pink Floyd. Nota-se que, pelas referências da música, parece ser mesmo. Fechando o álbum, o “Eclipse” resume todos os aspectos da nossa vida mundana, regida perfeitamente pela grandiosa luz do sol, mas que, ainda assim, é encoberta pela pequena Lua. Como nós, que mesmo ante a grandiosidade da vida, somos encobertos por essas “pequenas” mazelas que nos atormentam.

        The Dark Side of the Moom é uma obra filosófica, instrumentalmente criativa, conceitual e fenomenológica, como jamais se viu na música contemporânea. Imortal e atual como o Pink Floyd.






      Primeiro vídeo de uma série de 5 vídeos do último documentário sobre o PINK FLOYD:

 

 

 

 

     

      

 



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 09h16 PM
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LANÇAMENTOS LEGAIS:

logo_indios_urbanos

Música mineira de qualidade!

Edição: Pepe Chaves

Acesse: http://www.viafanzine.jor.br/indios.htm

 

 

Beatles Color

beatles

O que era produzido em preto e branco

agora é colorizado por computador. Bem humorado



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 03h02 AM
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Com a palavra...


A pimenteira que ninguém há de secar

Por Áurea Alves

áurea alves



     Como o malandro Bento Ribeiro de Ney Lopes, Pedro Miranda é importante fragmento de um universo, o do samba, e carrega em si e transmite em seu trabalho moderno os códigos preservados atavicamente, despertando memórias fundamentais para a Música Popular Brasileira e, ao mesmo tempo, para construção de uma história própria desses primeiros sambistas que impulsionaram a chamada revitalização da Lapa enquanto bairro boêmio.

     Em seu primeiro disco (Coisa com coisa, Deck Discos, 2006) o cantor fazia o diagnóstico de sua carreira e de que ponto estava partindo para seu trabalho solo. Pandeirista e cantor do grupo Semente, dos Anjos da Lua e do Cordão do Boitatá, sempre esteve ligado ao movimento da Lapa e, ao mesmo tempo, compartilhou palco com inúmeros veteranos do samba e do choro, o que definiu parâmetros claros quanto ao tipo de repertório com que trabalharia.

     Este Pimenteira (Deck Discos) é a expressão do caminho que Pedro trilhará e um prognóstico da forma como samba será tratado no trabalho dessa geração e daqueles que tem apreço ao gênero nacional.

Pedro Miranda

     De fato, a produção do disco, executada por Luiz Filipe de Lima - violinista também veterano de Lapa - deixa bastante clara a tendência que se afirmou nos últimos anos: valorização dos grandes compositores e suas obras esquecidas, apresentação de trabalhos autorais da nova geração, arranjos bem acabados, com a presença do grupo base das rodas de samba e instrumentos de sopro, influência do choro que insinua a tendência da valorização de orquestras. Ótimo para os músicos, melhor para os ouvintes que podem celebrar a qualidade musical do samba.

    Provavelmente os ruins da cabeça ou doentes do pé não gostarão deste disco, pois é impossível ouvi-lo sem associá-lo à dança e não só a de salão. Com um repertório bem elaborado, os trabalhos são abertos com a composição do ignorado Sílvio Silva (parceiro de Aldir Blanc) na animada Hello, my girl , conhecida nas rodas de samba pela voz de Camunguelo, flautista e compositor de muito suingue com obra pouco lembrada. É o chamado para o salão.

    A faixa-título é prova de que, como afirma Elton Medeiros no encarte, Pedro é do samba. Pimenteira é um samba-chula colhido por Roque Ferreira, no Recôncavo baiano, interpretada com o auto-denominado arranjo mestiço que contempla, inclusive a viola de machete. É o chamado à dança mestiça e às palmas das mãos.

    Com tratamento especial, cada samba é interpretado por Pedro, com sua voz de pouca extensão, mas com suíngue suficiente para garantir a expressividade das letras e atribuir às músicas uma marca pessoal, indispensável em um trabalho tão rico.

    Ao lado de obras de compositores como Ney Lopes, Wilson das Neves, Paulo César Pinheiro, Elton Medeiros, Rubinho Jacobina, surgem as dos talentosos Pedro Amorim, Eduardo Neves, Alfredo Dal Penho, Edu Krieger e Moyseis Marques. Um paralelo de imagens poderia eventualmente ser traçado, ao se pensar nas influências possíveis, no entanto, é gratificante identificar a sonoridade inspirada no passado, mas com marcas tão fortes do presente. Algo natural em se tratando de arte.

    A cereja deste bolo caseiro é a inédita parceria entre o mangueirense Nelson do Cavaquinho e o portelense Alcides Dias Lopes, o   Malandro Histórico, obra preservada pela memória prodigiosa e fundamental para o samba de Monarco. Velhice traz as melodias e harmonias esquisitas de Nelson, e um de seus temas favoritos - normalmente tratado com resignação e dor - , que recebe aqui uma letra debochada e malandramente ofensiva, dirigida à mulher, pré-botox.

   No encontro dos diversos sambas, Pedro estimula a memória auditiva em Meio-tom de Rubinho Jacobina, que brinca com as dificuldades do cantor para cantar o tom correto. Os arranjos dessa música remetem imediata e inexoravelmente a São Jackson do Pandeiro, ao estilo de gravações semelhantes da década de 1950, com o direito ao solo de um órgão Hammond e ao coro dos Anjos da Lua brincando com o tema da música.

    Assim é o trabalho de um artista que traz em si as vertentes indissociáveis: o novo e o antigo para provar à vera que o samba é fonte inesgotável da boa música. Basta dedicar-lhe o cuidado e respeito necessários e, fundamentalmente, tê-lo na alma e vivê-lo no seu tempo, ardendo delicadamente como esta saborosa Pimenteira.
 
    Site de Pedro : para degustar as faixas Pimenteira, Caso Encerrado (Eduardo Neves e Alfredo Del-Penho), Compadre Bento e Meio-tom.


Áurea Alves é jornalista e edita o blog UNBUBBLE  http://unbubble.wordpress.com  (dedicado a divulgação de trabalhos pouco ou desconhecidos).

 

 

Video com Pedro Miranda e Teresa Cristina em "Um calo de estimação"

 



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 06h45 PM
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Arte Vital é futebol, também...

Sorteio Final Copa do Mundo 2010: Será o Grupo G, o Grupo da morte?

Por Antonio Siqueira

 

         O Brasil, desta vez, pegou um grupo complicado, com Coreia do Norte, Costa do Marfim, do atacante Didier Drogba, do Chelsea, e Portugal, do galático Cristiano Ronaldo. O país-sede, África do Sul, também não terá vida fácil, pegará México, Uruguai e França. Já os argentinos enfrentarão Nigéria Coreia do Sul e Grécia. Na verdade teremos a garantia de bons jogos, o que não acontece há várias copas. Talvez, desde a Copa de 1982, na Espanha, não aconteçam jogos épicos durante todo o torneio, como foi Brasil 3 X 1 Argentina e Brasil 2 X 1 Urss, ambas as partidas na mesma Copa da Espanha de 1982 que culminou com a desclassificação da geração de Zico, Falcão, Junior, Sócrates, Cerezo, Leandro, Oscar e mais uma turma de genios escalados pelo mestre Telê Santana.

        O Brasil pode cruzar com a campeã europeia, Espanha, logo nas oitavas-de-final. A primeira partida dos comandados de Dunga será contra a fraca seleção da Coreia do Norte, no dia 15 de junho, em Johanesbugo. O segundo jogo do Brasil é contra a Costa do Marfim, do atacante Didier Drogba, em 20 de junho, também em Johanesbugo. Para terminar, o Brasil pega Portugal de Cristiano Ronaldo.

        Que venham todos. Futebol bonito é isso aí e  ninguém aqui está disposto a perder o precioso tempo com joguinhos parados e sem movimentação.

Ao vivo!

Grupos / Sorteio em andamento

(32 de 32 seleções sorteadas)
Grupo A
1. África do Sul
2. México
3. Uruguai
4. França
Grupo B
1. Argentina
2. Nigéria
3. Coreia do Sul
4. Grécia
Grupo C
1. Inglaterra
2. Estados Unidos
3. Argélia
4. Bandeira: Eslovênia
Grupo D
1. Alemanha
2. Austrália
3. Sérvia
4. Gana
Grupo E
1. Holanda
2. Dinamarca
3. Japão
4. Camarões
Grupo F
1. Itália
2. Paraguai
3. Nova Zelândia
4. Eslováquia
Grupo G
1. Brasil
2. Coreia do Norte
3. Costa do Marfim
4. Portugal
Grupo H
1. Espanha
2. Suíça
3. Honduras
4. Chile

FUTEBOL ERA UMA COISA LUXUOSA:

 



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 04h30 PM
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A Lei Rouanet virou Bolsa Dendê
Por Antonio Siqueira




Se, em 1991, o diplomata, filósofo, antropólogo e hoje membro da Academia Brasileira de Letras Sergio Paulo Rouanet pudesse prever o futuro, é possível que tivesse pensado não duas, mas quinze vezes antes de encabeçar o projeto de criação da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei nº 8.313 de 23 de dezembro de 1991), a hoje tão falada Lei Rouanet, que leva seu nome. Que destino mais triste ter o seu nome associado a práticas tão, como posso dizer... heterodoxas.

O falatório em torno da Lei Rouanet começou, em especial, quando o Ministério da Cultura aprovou o projeto do novo show de Caetano Veloso, vocês devem se lembrar. Na ocasião, mesmo os que defendem a existência da Lei Rouanet (o que não é o meu caso), reclamaram a postura do Ministério, alegando que Caetano não precisava de incentivos federais para realizar o seu show. E não precisava mesmo. Mas o projeto foi aprovado e, passados alguns dias, não se falou mais no assunto.

Pois bem, foi assim até ninguém menos que o ex-Ministro da Cultura, Gilberto Gil, também se sentisse no direito de tirar a sua casquinha e, claro que seu projeto para a realização do DVD "Gil Luminoso" também foi aprovado. Nada mais justo, se Caetano tem direito, Gil também tem. No caso de Caetano, já achei o fim da picada, pois o Ministério da Cultura não consultou os contribuintes brasileiros para saber se estavam dispostos a bancar o projeto. Sim, é com dinheiro público que o Ministério da Cultura faz essa lambança. Aí podem me perguntar: Você queria o quê? Que para cada projeto apresentado fosse feita uma consulta popular? Bem, é óbvio que seria inviável.

O cerne dessa questão reside em outro lugar. Se "tudo é relevante do ponto de vista cultural", como faz crer o Ministro Juca Ferreira, então, como diria Caetano... enquanto arte, nada tem relevância, ou tudo tem, depende da brasilidade do artista, se for bonitinho... entederam? O que pergunto é: quais são os critérios de escolha?

Muito se falou à época sobre o Ministro ter sido pressionado por Paula Lavigne, empresária e ex-mulher de Caetano. Em resposta, Juca Ferreira afirmou que não houve pressão, dizendo que ela apenas ligou para ele pedindo mais informações sobre os critérios de escolha. Ah, entendi. Alguém aí tem o telefone do Ministro, por favor?

No caso de Gilberto Gil, a coisa assume outra dimensão, pois é um ex-ocupante da pasta recorrendo a antigos subordinados para obter recursos de uma lei de incentivo. Mas, foi o que aconteceu. Gil pediu e Juca Ferreira, quero dizer, o Ministério da Cultura, concedeu. O que há de ilegal nisso? Nada, mas não deixa de ser imoral. O Ministério afirma que em contra partida, exigiu que o preço dos ingressos e do DVD resultante fossem reduzidos. O DVD, por exemplo, será vendido por algo entre R$ 30,00 e R$ 50,00. Barato, não? Não sei onde o Ministro compra seus DVDs, mas lançamentos recentes de artistas tão ou mais populares que Gil, custam em média R$ 26,00 e R$ 30,00 e sem incentivos federais.

O curioso é que Flora Gil, produtora e esposa de Gil, afirma que há anos vive sem recursos públicos. "Quando Gil virou ministro, tive de me afastar de qualquer benefício. Não trabalho com leis, entendeu? Uso recursos próprios das empresas". Ficou com saudades dos cofres públicos?

A Lei Roaunet está se convertendo em uma Bolsa Dendê!

 

Charge: Juca



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 02h17 AM
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Livros

Irresistível coração de menino
Por Antonio Siqueira

capa_livro_taffo

O guitarrista Wander Taffo, falecido em maio do ano passado, ganhou em setembro último duas homenagens. Chega ao mercado um livro contando a história do músico e um CD duplo que repassa parte de sua carreira.

O livro, intitulado "Wander Taffo, irresistível coração de menino", conta a vida e a obra do guitarrista. A biografia foi escrita pela irmã do músico, Fátima Taffo. O lançamento oficial do livro acontece essa noite na Tagima Dream Team, evento realizado pela Tagima no Moinho, na rua Borges de Figueiredo, 510, em São Paulo.

As vendas do livro serão a alavanca da Fundação TAFFO, que financiará bolsas de estudo e bandas musicais dentro de projetos sustentáveis.

Quanto ao CD duplo, que recebeu o nome do músico, tem em seu primeiro disco canções compostas desde a época da banda Taffo, incluindo "Meu Punhal", "Me dê sua Mão" e "Rosa-dos-Ventos" entre outras. O disco 2 traz sete canções instrumentais em seu repertório.

O livro e o CD estarão à venda na Expomusic, feira que acontece essa semana em São Paulo, nos estandes da Tagima e da Giannini.

Fonte: Cia das Letras



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 02h04 AM
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Um poema ainda existe...


Pensando em você

Sandra Britto

carinho

Pensando em você.
perceba com carinho que

Apesar dos pássaros
o abismo não se converterá.
Precisam ultrapassar.

Divinos!
Que em si guardam
poder em elevar-se.

Seguindo de olhos fechados
ou abertos.
Chegaram companheiro.



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 01h47 AM
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Com a palavra e um doce convite...

caros amigos


é com alegria que convido a todos para o lançamento do livro Dedo de Moça -
Uma Antologia das Escritoras Suicidas, a realizar-se no dia 19 de dezembro, de 15h30 às 18h30, na Livraria Martins Fontes, localizada à Av. Paulista, 509, em São Paulo.

o livro, com apresentação do músico, compositor e escritor Guttemberg Guarabyra, e orelhas do premiado escritor Nelson de Oliveira, reúne contos e poemas de 30 autoras brasileiras, entre as quais, autores que fingem de. à exceção de Dominique Lotte e Romina Conti, pseudônimos, respectivamente, de Iosif Landau e Rodrigo de Souza Leão, falecidos em 2009, nenhum outro autor nessa antologia revela sua identidade masculina ou o que existe sob as suas vestes femininas.

Dedo de Moça, organizado por Silvana Guimarães e Florbela de Itamambuca, é fruto de um projeto que já dura (e nos diverte!) há 4 anos. em outubro de 2005, quando o site Escritoras Suicidas foi lançado na internet, não sabiamos no que ia dar. hoje, o que se sabe é que brincar com estereótipos, ainda que a intenção não seja necessariamente essa, é a forma mais interessante de se quebrar paradigmas.

Espero todo mundo lá, vai ser um privilégio dividir esse momento com vocês.

mariza lourenço
co-editora do site
Escritoras Suicidas http://www.escritorassuicidas.com.br/
co-autora do livro Dedo de Moça - Uma Antologia das Escritoras Suicidas

Convite para o Evento



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 04h44 PM
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A escola em 1969 e em 2009...

 

escola 1969 - 2009                                                                               Essa pergunta foi a vencedora num congresso sobre vida sustentável:

 

"Todos pensam em deixar um planeta melhor para os  nossos  filhos...  Quando é que pensarão em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"  

 

Uma criança que aprende o respeito e a honra dentro da própria casa, torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusive em respeitar o planeta onde vive...


Nota do Blog:
Essa charge me foi enviada por e-mail pelo meu amigo Beto Andrade e devidamente publicada no      Arte Vital, infelizmente e por enquanto, desconheço a autoria.

                

       

 

 



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 02h56 AM
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No pé do ouvido...

A Paz e o Amor continuam em segundo plano

Por Antonio Siqueira

wood

Artisticamente, em especial para a história do rock, é inegável o fato de Woodstock ter mostrado ao mundo o talento de artistas como Jimi Hendrix, Janis Joplin, Carlos Santana, Creedence Clearwater Revival, The Who, Jefferson Airplane e Joe Cocker entre dezenas de outros tão ou mais relevantes, mas foi também o ponto alto de uma cultura, digamos assim, "bicho-grilesca", que embalada ao refrão de "Let's Go Get Stoned", algo como "vamos ficar chapados", de Joe Cocker, pregava de forma ingênua e até simplista aos olhos de hoje, a paz, o fim da guerra, a união entre os povos e o fim do establishment da época.

Sei que muitos vão me odiar, em especial aqueles que, pela aparência e modo como vêem o mundo, parecem ter voltado ao Brasil à pé da cidadezinha de Bethel, repetindo ainda hoje, 40 anos depois, o já surrado discurso do "faça amor, não faça a guerra". O que me pergunto é: será que realmente acreditavam que se entupir de alucinógenos, rolar na lama e não tomar banho era o caminho para mudar o mundo? Fazia parte da contracultura, é claro.

Poucos questionam o fato de que, embora na prática tenha se tornado um evento gratuíto (apenas 180 mil pessoas pagaram pelos ingressos), Woodstock teve desde seu primeiro momento o objetivo de retorno financeiro. Sim, o lucro. Até aí nada demais, justo que os investidores tenham um retorno. O problema é ao mesmo tempo em que buscam o lucro, demonizar a "elite social e econômica". Ok, alguns vão alegar que Michael Lang amargou um enorme prejuízo com a empreitada, mas até hoje ele vive de Woodstock através da venda de filmes, vídeos, documentários, entrevistas e das infelizes reedições de 1994 e 1999.

Agora, em comemoração aos 40 anos, o que se vê são produtos e mais produtos chegando às lojas de todo o mundo, como CDs, DVDs, posteres, camisetas, livros e todo o tipo de penduricalho que possa de alguma forma ser associado à marca, que é no que se tornou ao final das contas o nome Woodstock, uma marca e, aqueles que ainda hoje são amaldiçoados pelos "woodstockies" são os que mais ganharam com a história.

 



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 03h29 AM
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Notas DISSONANTES

 

Telefônica Open Jazz traz Diane Reeves e Buddy Guy ao Brasil

Buddy Guy


A artista da Blue Note, Dianne Reeves, é reconhecida como uma das mais notáveis cantoras de jazz no mundo. Reeves possui diversos prêmios Grammy. É ela quem abre o evento no domingo.

Já Buddy Guy é uma lenda viva do blues que vem divulgando seu mais recente álbum, "Skin Deep". O músico possui um estilo único e inconfundível, que lhe garantiu cinco prêmios Grammy e 23 W.C. Handy Blues Awards, premiação mais importante da categoria blues e que nenhum outro artista conseguiu adquirir.

O Telefônica Open Jazz é realizado no Brasil desde 2007, promovendo espetáculos musicais ao ar livre para o grande público. O evento já trouxe ao país a cantora e pianista Diana Krall, Herbie Hancock e Macy Gray entre outros nomes internacionais.

29/11/2009 - São Paulo/SP
Parque da Independência - Av Nazareth, s/n (Entrada pela Rua dos Patriotas, Portão Principal)
Shows: Buddy Guy e Dianne Reeves
Horário: 16h00
Ingressos: entrada franca
Classificação etária: Livre

Você não está sonhando

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Sim, o guitarrista Jimmy Page desembarca no Brasil para uma única apresentação neste sábado, 28, no Rio de Janeiro. A apresentação tem caráter beneficente e será realizada no auditório da British School, na Urca.

A renda obtida com a apresentação será revertida para a Casa Jimmy, instituição que ampara adolescentes grávidas. O ex-Led Zeppelin vai se apresentar junto com o guitarrista Pepeu Gomes e com a banda Kid Abelha.

Os ingressos são limitados e pais de alunos da British School têm preferência na compra.

28/11/2009 - Rio de Janeiro/RJ
British School
Horário: 16h00
Ingressos: R$ 100,00 (em pé) e R$ 200,00 (sentado)
Informações:
www.britishschool.g12.br



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 03h12 AM
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Minha vida com o Zé

'Entre nós dois havia uma perpétua competição. Mas ao mesmo tempo

nos recusávamos a deixar que um de nós ficasse muito atrás nessa corrida maluca'.

Por Luiz Carlos Sá

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Nos idos de 66, meu amigo Nelson Lins de Barros me chamou para uma atividade muito comum na época:

 

- Quer ser júri do Festival do Aplicação?

 

Grande festival de música estudantil, o do Colégio de Aplicação, no Rio de Janeiro, costumava sempre mostrar coisas boas em proporção bem maior que seus similares. Aceitei no ato:

 

- Vamos lá!

 

Minha intuição musical, mais uma vez, estava certa. No festival destacou-se um grupo vocal de nível muito superior aos demais concorrentes, o MomentoQuatro. Depois, nos camarins (quer dizer, nas salas de aula do Aplicação reservadas para este fim...) fiz amizade instantânea com seus componentes, pouco mais novos que eu: dois futuros Boca Livre (David Tygel e Maurício Maestro), Ricardo Villas e Zé Rodrix. Eles tiveram suas vidas trançadas com a minha em diversas ocasiões: David dividiu comigo um quartinho metido a suíte no cariocamente mítico Solar da Fossa, uma sede de fazenda do século 18 que – acreditem – foi dividido em centenas de quitinetes e virou muquifo habitacional de todo artista que merecesse esse nome no Rio dos anos 60, para acabar lamentavelmente soterrado sob o abominável Shopping Rio-Sul, ao invés de ter sido justamente tombado como Patrimônio Mundial pela Unesco; Ricardo Villas foi meu cunhado e é tio de dois de meus filhos; Maurício Maestro arranjou e gravou diversas músicas minhas; e Zé Rodrix... Bem... Zé é parte integrante da minha história de vida.

 

Foi Zé, com sua dinâmica extra-sensorial, que me empurrou definitivamente pro poço da música. Tornamo-nos parceiros e amigos inseparáveis no final da década de 60. Nossa interação musical era quase metafísica: eu ia pra casa dele, um apezinho quarto e sala na Prudente de Morais e passávamos dias e noites compondo todo tipo e espécie de música, das geniais às ridículas: jingles, sátiras, sinfonias, tudo isso saía das máquinas de compor que éramos.

 

Quando eu desanimava, Zé me animava, acenando com um futuro melhor para além da censura oficial e do atraso crônico de contas a pagar que então sofríamos. Como se tudo isso não bastasse, lá se foi meu primeiro casamento pras cucuias... E aí apareceu na nossa vida de dupla um outro apê histórico pra nós: o apartamento 1 (era assim antigamente...) da rua Alberto de Campos, 111, Ipanema, Rio, Centro do Universo. Lá moravam nosso amigo Guttemberg Guarabyra e os jornalistas José Trajano e Toninho Neves, que me albergaram naquela hora difícil. E para lá - com o nascimento de Marya Rodrix que não conseguia dormir com nossa algazarra – mudou-se nosso ensaio de dupla, que logo virou trio, com a adesão de Guarabyra.

 

Pra resumir, caímos na estrada e estouramos no Brasil inteiro com dois discos, “Passado, Presente e Futuro” e “Terra”. Como sempre e eternamente acontecerá com 99% dos jovens grupos de todos os tempos, o sucesso acabou deteriorando nossa relação, No começo de 74, entre recriminações e ranger de dentes, nos separamos. Zé foi ser solo e eu e Guarabyra, que também partimos a princípio pro solo, acabamos por seguir em dupla.

 

Esse ressentimento idiota durou até a dupla Sá & Guarabyra comemorar dez anos de carreira, em 82, quando – nós e ele, mais amadurecidos – chamamos o Zé para uma participação especial num memorável show em São Paulo. E dali, entre presenças e ausências, seguimos nos falando de vez em quando até 93, quando o convocamos de novo para arranjar e colaborar no vocal em duas músicas do CD “Sá & Guarabyra – Antenas”. O namoro – eh, eh! - foi longo: só em 2001 nos “casamos” de novo, reunindo o trio para uma apresentação no Rock In Rio III que virou CD, DVD e fez com que, afinal, nos jurássemos juntos para sempre de novo.

Mas o destino é caçador, e neste 22 de maio de 2009 aconteceu o impensável, o inimaginável, o imprevisível: Zé morreu. Meu espanto e sofrimento por esse fato não se devem somente à dor da perda de um amigo de mais de quarenta anos, o que já não é mole, mas também ao fato de que eu achava que o Zé não ia morrer nunca. Como pode morrer uma pessoa tão viva, tão ativa, tão irrefreável, que chegava a nos afligir com sua permanente atividade? Zé era um polvo, com tentáculos que se esticavam para alcançar o máximo possível de atividade humana que pudessem conseguir. E, de repente, o nada. Se até ele morreu, então todos nós somos realmente mortais. Pode? Infelizmente, pode.

 

Nestes últimos oito anos de re-união fomos brindados com tudo o que a vida pode oferecer de melhor e pior para dois amigos: brigamos, gritamos, nos reconciliamos, nos estranhamos, nos atraímos, nos repelimos, nos abraçamos, quase nos batemos, nos beijamos... Entre nós dois havia uma perpétua competição. Mas ao mesmo tempo nos recusávamos a deixar que um de nós ficasse muito atrás nessa corrida maluca. A mão amiga de um estava sempre à disposição do outro. Porque, como sabiamente me falou um dia Tavito, nosso irmão em comum: “amigos de quarenta anos não erram: só se enganam...”.

 

Então, fico aqui me lembrando dos dedos curtos do Zé no teclado – eu sempre ficava imaginando como ele conseguia alcançar uma oitava inteira! - e da sua maneira de falar sempre olhando para cima, o que fazia com que ele parecesse mais alto do que realmente era... Dos seus passos apressados, da sua regência nada técnica, mas sempre empolgada e contagiante, dos seus trejeitos e maneiras, das suas incongruências e certezas tão expostamente humanas, da fragilidade sensível que se escondia atrás de uma segurança montada por anos de cuidadosa construção de objetivos e metas: assim mesmo, como todos nós somos e fazemos, uns mais à vista que os outros.

 

Uma desgraça dessas, que deixa amigos e parentes com o coração na mão, faz com que nos caia a ficha da fragilidade da vida humana, em contraste com a sensação enganosa de eternidade que sempre nos cerca. Então, resta-me constatar essa fragilidade, dolorosamente exposta por James Taylor no refrão da genial e clássica “Fire and Rain”, que ele compôs para uma amiga inesperadamente falecida. Música essa, aliás, que nós três ouvíamos quase que obsessivamente naquele apê da Alberto de Campos:

 

“I've seen fire and I've seen rain

I've seen sunny days that I thought would never end

I've seen lonely times when I could not find a friend

But I always thought that I'd see you here one more time again”.

 

Ou, livremente traduzido:

 

“Já passei por fogo e por chuva,

Já passei por intermináveis dias ensolarados

Já enfrentei tempos solitários, quando não pude encontrar um amigo sequer...

Mas sempre pensei que poderia te ter aqui comigo

Pelo menos uma vez mais”.

 Boa viagem, meu amigo.

* Luiz Carlos Sá é músico, compositor, publicitário e integrante do trio Sá, Rodrix & Guarabyra.

- Fotos: Arquivo VF.

 

 



 Escrito por ARTE VITAL by antonio siqueira às 02h56 AM
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